POPULUS - REPENSANDO OPOPULISMO

NESTE PROJETO, AVANÇAMOS UMA NOVA ABORDAGEM AO POPULISMO E TESTAMO-LA COMPARANDO PORTUGAL COM ESPANHA

O QUE
ESTUDAMOS
NESTE
PROJETO?

Porquê estudar o populismo? Porque o populismo está a crescer, quer à esquerda quer à direita. Debates sobre populismo são hoje em dia omnipresentes – inúmeros programas de televisão, colunas de jornal e artigos de opinião têm-lhe sido dirigidas e todos parecem ter uma opinião formada sobre os perigos que representa. Porém, dentro e fora da academia, o que o populismo é continua a ser uma fonte de confusão e as suas origens e forma de funcionamento um mistério. Meio século de investigação sobre populismo não chegou para que se chegasse a um consenso sobre uma definição mínima de populismo. Hoje em dia, populismo é definido de diferentes formas, uma duplicidade normativa implícita, e a sua operacionalização continua a ser no mínimo difícil.

Neste projeto, propomo-nos desenvolver uma nova abordagem a este tema e testá-la por relação ao caso português numa perspectiva comparativa. Segundo a nossa abordagem, o populismo não é algo substantivo, como uma ideologia ou um discurso. O populismo é antes uma forma de fazer política. Em particular, a forma populista de fazer política opera de acordo com uma lógica própria: a lógica do ressentimento. Um político age de forma populista se falar às emoções e aos interesses de um eleitorado que se sinta, por exemplo, indignado com a crescente desigualdade de distribuição de rendimentos. O populismo nasce daqui, mas só se desenvolve quando se decide apontar as responsabilidades por esta situação a um certo grupo. Quem este grupo é ao certo não interessa. O que importa é assacar a responsabilidade, quando não mesmo a culpa, quer seja à caravana de emigrantes ou à elite capitalista, pelos problemas reais que as pessoas enfrentam no seu dia-a-dia. Este assacar de responsabilidades funciona como uma espécie de purga democrática: faz-se em nome do povo, um novo povo a construir a partir do cumprimento das promessas democráticas de igualdade e respeito próprio. Esta dimensão redentora do populismo distingue-o da democracia. Se os democratas aceita projetos coletivos a médio e longo prazo, à luz dos quais tornam aceitáveis sacrifícios “aqui e agora”, os populistas propõem-se cumprir as promessas democráticas num futuro imediato, com fórmulas simplistas quando não demagógicas. Isto sucede porque a indignação, o desespero, por vezes mesmo a inveja, alimentam-se de circunstâncias reais da vida de todos os dias. Este sofrimento vive no presente, não nas memórias de erros passados ou oportunidades perdidas; promessas a longo-prazo, sobretudo as tecnicamente muito complexas, são vistas com desconfiança. É “aqui e agora” que se tem que pôr termo a este sofrimento imerecido. É por isto que o populismo é um barómetro da saúde da democracia e, simultaneamente, um dos seus mais perigosos inimigos.

Neste projeto, concentramos a nossa atenção no quadriénio 2011-2015, o período em que os efeitos da crise económica mais se fizeram sentir no nosso país. Os principais agentes são os partidos políticos, movimentos sociais e o Tribunal Constitucional. Metodologicamente, Portugal é concebido como um caso negativo. A nossa hipótese é a de que a articulação performativa da lógica populista do ressentimento por parte dos partidos políticos portugueses, opondo uma parte dos Portugueses contra outra em nome do “povo”, não se traduziu em sucesso eleitoral. O nosso objectivo é o de identificar e compreender o que distingue o caso português e as razões por detrás do falhanço relativo da maior parte das estratégias populista em Portugal. De modo a clarificar melhor estas dimensões, o nosso estudo compreende uma comparação com Espanha, onde o partido Podemos quase que triplicou a sua percentagem eleitoral entre meados de 2014 e o final de 2015.

O projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e está baseado no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. O início dos trabalhos teve lugar em Setembro de 2018 e deverão ser concluídos até 2020.

A EQUIPA

Filipe Carreira da Silva

Investigador principal

Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa

Investigador auxiliar com habilitação, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL). Fellow, Selwyn College, Cambridge. Licenciado em Sociologia (ISCTE, 1998), fez o Mestrado em Ciências Sociais no ICS-UL (2002). Em 2003, conclui o doutoramento na Universidade de Cambridge com uma dissertação em Teoria Sociológica Clássica (“In Dialogue with Modern Times. The Social and the Political Thought of G. H. Mead”). Realizou os seus estudos de pós-doutoramento nos Estados Unidos, em primeiro lugar na Universidade de Harvard e posteriormente na Universidade de Chicago. Tem uma habilitação para o exercício de funções de coordenação científica em Sociologia pela Universidade de Lisboa (2016). Publicou diversos artigos e livros sobre teorias sociológicas clássicas e contemporâneas. Os seus interesses académicos passam pelas teorias sociológicas, sociologia política urbana e estudos sobre cidadania.

Mónica Brito Vieira

Universidade de York

Professora catedrática em Ciência Política, Universidade de York, Reino Unido. Obteve doutoramento em Outubro de 2005, na Universidade de Cambridge, com a tese “The Elements of Representation in Hobbes”, sendo Research fellow em História do Pensamento Político/Teoria Política na mesma instituição. Trabalha atualmente num projeto relacionado com a história do conceito de representação (política) e do governo representativo, com enfoque nas intersecções entre estética, teatro e política.  Os seus interesses académicos e os domínios em que tem publicado estão, neste momento, concentrados em três áreas – História Intelectual, História do Pensamento Político e Pensamento Político Moderno.

Catherine Moury

Universidade Nova de Lisboa

Professora Auxiliar na FCSH – Universidade Nova de Lisboa. A sua investigação concentra-se na mudança institucional na União Europeia e em política comparada, temas sobre os quais publicou em jornais como o European Journal of Public PolicyWest European Politics e Party Politics. É autora de “Coalition Government and Party Mandate: How coalition agreements constrain ministerial action” (Routledge, 2013) e “Changing rules of delegation: A contest of Power for comitology” (com A. Héritier, C. Bisschoff e C-F. Bergström, Oxford University Press, 2013). O seu artigo “Explaining the European Parliament’s Right to Appoint and Invest the Commission: Interstitial institutional change”, publicado em 2007 no jornal West European Politics, ganhou o Prémio Vincent Wright Memorial e o Prémio Gulbenkian para a Internacionalização das Ciências Sociais.

Mais informação

Luca Manucci

Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa

Investigador, projeto POPULUS, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL). Doutorado em Ciência Política pela Universidade de Zurique (2017). Foi investigador visitante nas Universidades de Santiago de Chile (Universidade Diego Portales) e Budapeste (Central European University). Tem artigos publicados em revistas internacionais e um livro sobre populismo e memória colectiva (Routledge, no prelo). Os seus atuais interesses de investigação incluem política comparada, populismo, comunicação política e partidos políticos. Tem um blog sobre populismo: populismobserver.com.

Mais informação

David Larraz

Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa

David Veloso Larraz é investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e membro do projeto POPULUS. Entre 2015 e 2019 foi assessor político do partido Podemos. Tirou a Licenciatura em Sociologia na Universidade de Granada e Antropologia Social e Cultural na Universidade Complutense de Madrid, assim como estudos de Pós-Graduação em políticas públicas, gestão urbana e metodologias participativas. A sua investigação debruça-se sobre democracia, populismo e partidos políticos de esquerda, em particular no contexto da América Latina e da Europa do Sul. Está atualmente a realizar o doutoramento em política comparada sobre a ausência de populismos em Portugal e Uruguai.

Pedro Mendonça

Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa

Pedro Mendonça, investigador e membro do projecto POPULUS. Doutorou-se em Estudos Políticos no Instituto de Ciências Sociais, com a tese “Democracy, Populism and Economic Globalization – An extension of the selectorate theory”. Foi investigador convidado na Universidade de Salamanca e Swansea. Os seus actuais interesses académicos passam por abordar as matérias ligadas a estratificação e desigualdade a partir da Cultural Political Economy e Critical Discourse Analysis.

Erik Fritzsch

Assistente de investigação visitante

Universidade Friedrich-Wilhelms de Bona

Erik Fritzsch é um estudante de Mestrado da Universidade Friedrich-Wilhelms University de Bona, na Alemanha e assistente de investigação visitante no ICS da Universidade de Lisboa. No âmbito do projecto POPULUS, a sua contribuição consiste em redigir uma dissertação de Mestrado sobre o potencial  do voto populista de direita em Portugal. É licenciado em sociologia, com especialização em estudos de ciência e tecnologia na Universidade Técnica de Berlim e encontra-se neste momento a concluir o Mestrado em “Sociedades, Globalização e Desenvolvimento” na Universidade de Bona. Os seus interesses de investigação incluem a sociologia cultural, a teoria da estratificação e os estudos sobre a desigualdade com particular incidência no comportamento político e eleitoral.

Investigador auxiliar com habilitação, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL). Fellow, Selwyn College, Cambridge. Licenciado em Sociologia (ISCTE, 1998), fez o Mestrado em Ciências Sociais no ICS-UL (2002). Em 2003, conclui o doutoramento na Universidade de Cambridge com uma dissertação em Teoria Sociológica Clássica (“In Dialogue with Modern Times. The Social and the Political Thought of G. H. Mead”). Realizou os seus estudos de pós-doutoramento nos Estados Unidos, em primeiro lugar na Universidade de Harvard e posteriormente na Universidade de Chicago. Tem uma habilitação para o exercício de funções de coordenação científica em Sociologia pela Universidade de Lisboa (2016). Publicou diversos artigos e livros sobre teorias sociológicas clássicas e contemporâneas. Os seus interesses académicos passam pelas teorias sociológicas, sociologia política urbana e estudos sobre cidadania.

Professora catedrática em Ciência Política, Universidade de York, Reino Unido. Obteve doutoramento em Outubro de 2005, na Universidade de Cambridge, com a tese “The Elements of Representation in Hobbes”, sendo Research fellow em História do Pensamento Político/Teoria Política na mesma instituição. Trabalha atualmente num projeto relacionado com a história do conceito de representação (política) e do governo representativo, com enfoque nas intersecções entre estética, teatro e política.  Os seus interesses académicos e os domínios em que tem publicado estão, neste momento, concentrados em três áreas – História Intelectual, História do Pensamento Político e Pensamento Político Moderno.

Professora Auxiliar na FCSH – Universidade Nova de Lisboa. A sua investigação concentra-se na mudança institucional na União Europeia e em política comparada, temas sobre os quais publicou em jornais como o European Journal of Public PolicyWest European Politics e Party Politics. É autora de “Coalition Government and Party Mandate: How coalition agreements constrain ministerial action” (Routledge, 2013) e “Changing rules of delegation: A contest of Power for comitology” (com A. Héritier, C. Bisschoff e C-F. Bergström, Oxford University Press, 2013). O seu artigo “Explaining the European Parliament’s Right to Appoint and Invest the Commission: Interstitial institutional change”, publicado em 2007 no jornal West European Politics, ganhou o Prémio Vincent Wright Memorial e o Prémio Gulbenkian para a Internacionalização das Ciências Sociais.

Mais informação

Investigador, projeto POPULUS, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL). Doutorado em Ciência Política pela Universidade de Zurique (2017). Foi investigador visitante nas Universidades de Santiago de Chile (Universidade Diego Portales) e Budapeste (Central European University). Tem artigos publicados em revistas internacionais e um livro sobre populismo e memória colectiva (Routledge, no prelo). Os seus atuais interesses de investigação incluem política comparada, populismo, comunicação política e partidos políticos. Tem um blog sobre populismo: populismobserver.com.

Mais informação

David Veloso Larraz é investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e membro do projeto POPULUS. Entre 2015 e 2019 foi assessor político do partido Podemos. Tirou a Licenciatura em Sociologia na Universidade de Granada e Antropologia Social e Cultural na Universidade Complutense de Madrid, assim como estudos de Pós-Graduação em políticas públicas, gestão urbana e metodologias participativas. A sua investigação debruça-se sobre democracia, populismo e partidos políticos de esquerda, em particular no contexto da América Latina e da Europa do Sul. Está atualmente a realizar o doutoramento em política comparada sobre a ausência de populismos em Portugal e Uruguai.

Pedro Mendonça, investigador e membro do projecto POPULUS. Doutorou-se em Estudos Políticos no Instituto de Ciências Sociais, com a tese “Democracy, Populism and Economic Globalization – An extension of the selectorate theory”. Foi investigador convidado na Universidade de Salamanca e Swansea. Os seus actuais interesses académicos passam por abordar as matérias ligadas a estratificação e desigualdade a partir da Cultural Political Economy e Critical Discourse Analysis.

Erik Fritzsch é um estudante de Mestrado da Universidade Friedrich-Wilhelms University de Bona, na Alemanha e assistente de investigação visitante no ICS da Universidade de Lisboa. No âmbito do projecto POPULUS, a sua contribuição consiste em redigir uma dissertação de Mestrado sobre o potencial  do voto populista de direita em Portugal. É licenciado em sociologia, com especialização em estudos de ciência e tecnologia na Universidade Técnica de Berlim e encontra-se neste momento a concluir o Mestrado em “Sociedades, Globalização e Desenvolvimento” na Universidade de Bona. Os seus interesses de investigação incluem a sociologia cultural, a teoria da estratificação e os estudos sobre a desigualdade com particular incidência no comportamento político e eleitoral.

LIVROS

Silva, F.C. e Brito Vieira, M. Rethinking Populism. The Politics of Democratic Resentment in Comparative Perspective. Ann Arbor: University of Michigan Press, no prelo.

Manucci, L. Populism and Collective Memory: Comparing Fascist Legacies in Western Europe. London: Routledge, 2020. Link

Héritier, A., and Katharina L Meissner, Catherine Moury, Magnus G Schoeller. European Parliament ascendant: parliamentary strategies of self-empowerment in the EU. London: Palgrave Macmillan, 2019. Link

ARTIGOS

Manucci, L. (2019). “Populism in Italy: Exploring the Ideological Roots of Lega and Five Star Movement.” Cicero Foundation Great Debate Paper No. 19/05: 3-12.

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Moury, C. e A Afonso. (2019). “Beyond conditionality: policy reversals in Southern Europe in the aftermath of the Eurozone crisis”. South European Society and Politics 24 (2), 155-176.

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Moury, C. e D. Cardoso, A Gago. (2019). “When the lenders leave town: veto players, electoral calculations and vested interests as determinants of policy reversals in Spain and Portugal”. South European Society and Politics 24 (2), 177-204.

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Silva, F.C. e Brito Vieira, M. (2019). “Populism as a Logic of Political Action”. European Journal of Social Theory, 22(4), 497-512. Tradução para castelhano: (2019) “El populismo como lógica de acción política”, Theorein. Revista de Ciencias Sociales, 1(4), 23-53.

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Silva, F.C. e Brito Vieira, M. (2018). “Populism and the Politics of Redemption”. Thesis Eleven, 149, 10–30.

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Vieira, M.B. (2019). “Making Up and Making Real”. History of European Ideas.

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CAPÍTULOS EM LIVROS

Silva, F.C. e Salgado, S. (2018), “Why no Populism in Portugal?”, em M.C. Lobo, F.C. Silva e J.P. Zúquete (orgs.), Citizenship in Crisis, pp. 248-265, Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais.

COMUNICAÇÕES EM CONFERÊNCIAS INTERNACIONAIS COM PEER-REVIEW:

115th Annual Meeting of the American Sociological Association, virtual engagement event, 8-11 Agosto 2020. Theory Section Roundtable, Novel Theoretical Approaches to Social Life. Comunicação apresentada por Filipe Carreira da Silva: “Beginnings: A Heretical Social Theoretical Approach.”

Curso de Verão 2019 – Populismos, Óbidos, Portugal, 16-18 Setembro 2019. Comunicações: Filipe Carreira da Silva, “Sobre as origens do populismo: redistribuição, reconhecimento e ressentimento”; Luca Manucci, “Populismo e memória colectiva: Comparando os legados fascistas na Europa Ocidental”.

XIV Conferência da Associação Europeia de Sociologia, Manchester, Reino Unido, 20-23 Agosto 2019. Comunicação apresentada por Filipe Carreira da Silva: “Why No Populism in Portugal? Lessons from Lisbon.”

 Encontro Anual da Associação Americana de Sociologia, Nova Iorque, Estados Unidos da América, 9-13 Agosto 2019. Comunicações apresentadas por Filipe Carreira da Silva: “Populism and the Politics of Redemption” in Political Sociology Refereed Roundtables; “Rethinking the Time’s Arrow. Beginnings and the Sociology of the Future” in Theory Section Refereed Roundtables.

Conferência “Ética, Valores e Política”, FFMS, Lisboa, 1 Junho 2019. Organização: Mónica Brito Vieira.

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Fronteiras XXI – Populismos na Europa. Programa de televisão, 90 minutos de duração, sobre o crescimento do populismo na Europa com três convidados, incluindo o Sr. Presidente da República, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Convidada: Mónica Brito Vieira.

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CAPÍTULOS EM LIVROS

Silva, F.C. e Salgado, S. (2018), “Why no Populism in Portugal?”, in M.C. Lobo, F.C. Silva and J.P. Zúquete (eds), Citizenship in Crisis, pp. 248-265, Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais.